Finanças na ponta do lápis Revista Bem-estar #41 Jul a Ago 2018

O seu comportamento financeiro hoje está em sintonia com os seus objetivos do futuro? Para a maioria dos brasileiros a resposta é não. Um levantamento do Banco Central divulgado no início deste ano revelou que 70% da população no Brasil não poupou sequer R$ 1,00 nos últimos doze meses. As consequências da falta de planejamento financeiro vão do endividamento e frustração de sonhos não realizados a dificuldades e preocupações naquele momento da vida que deveria ser apenas para relaxar: a aposentadoria.  

Para driblar o desafio de organizar o orçamento para investir no futuro, a Funcesp tem uma iniciativa específica para apoiar seus participantes nessa tarefa: o Vida Investe. O programa oferece educação financeira e previdenciária para orientar e ajudar os participantes na construção de um projeto de vida seguro. São conteúdos e palestras gratuitas para participantes e familiares.  Acompanhe o calendário de eventos no portal da Funcesp. 

Alguns hábitos simples, no entanto, podem fazer toda a diferença na hora de manter o planejamento financeiro em dia. "As pessoas tendem a subestimar as despesas, então anotar tudo que se gasta diariamente é fundamental para saber onde é possível economizar", explica Márcia Tolotti, consultora de finanças e autora de diversos livros, entre eles ‘As Armadilhas do Consumo’. 

De acordo com a escritora, para ser eficaz, o planejamento em curto, médio ou longo prazo deve ser revisto mensalmente, só assim é possível corrigi-lo ou adaptá-lo às mudanças da vida. "Olhar para o planejamento todos os meses te ajuda a lembrar o porque está guardando aquele dinheiro. Isso te motiva a continuar", acrescenta. 

Vilões das finanças

Para cumprir seu papel na garantia de um futuro - e presente - tranquilo, o planejamento não pode ser uma prisão. Ao contrário, deve apontar caminhos para a solução de problemas e concretização de sonhos. Mas algumas armadilhas estão sempre à espreita e, em muitos casos, minam o seu funcionamento. Não olhar para os gastos pequenos e frequentes, por exemplo, é uma dessas ameaças. Márcia explica que esses gastos funcionam como autoindulgências: "todo mundo está viajando e eu estou em casa, então vou jantar fora para compensar. Mas isso não estava no plano financeiro. No final, a pessoa não fará a viagem no futuro também. Isso não funciona", explica. 

Outro vilão do sucesso financeiro é, de acordo com a consultora, o "pensamento mágico". A pessoa acredita que vai dar certo, que ela vai dar um jeito de conseguir conquistar seus objetivos e, por isso, não precisa fazer planejamento. 

Da teoria à prática

Algumas ferramentas podem ajudar na hora de tornar o planejamento real, como a metodologia 5W2H. Veja abaixo um exemplo de como aplicá-la nos seus objetivos:


Fonte: Márcia Tolotti, consultora do Moddo Conhecimento Estratégico.

Para funcionar, o planejamento deve ser seguido com disciplina. No caso da previdência complementar, é preciso olhar para as necessidades do futuro: quanto deverá ser a minha renda para ter uma vida digna ao me aposentar? Estabelecer essas metas, planejar os recursos mensais que devem ser depositados, e acompanhar a rentabilidade desses investimentos são quesitos fundamentais para deixar o trabalho com segurança e garantir qualidade de vida lá na frente. 

Planejar dá certo

Elson Moreira tem 51 anos, uma filha e é divorciado. Em 2022, ele finalmente começará a receber os recursos aplicados desde 1996 na previdência complementar da Funcesp. De funcionário da Eletropaulo a autopatrocinado em 2008, Elson manteve seus investimentos para a aposentadoria de olho em um complemento para os recursos da previdência social. "Eu continuei com a previdência na Funcesp porque as opções que os bancos oferecem não são previdência de verdade", garante ele, que iniciou sua participação na entidade por dois motivos: o recebimento do benefício no futuro e, claro, o aporte também feito pela empresa na sua aposentadoria. 

Essa participação do patrocinador na aposentadoria dos colaboradores é, para Márcia, motivo mais do que suficiente para qualquer pessoa iniciar uma previdência complementar: "o profissional pode ter até 100% de retorno automático nessa modalidade, além do rendimento desse investimento. Não existe nada parecido no mercado", avalia. “O profissional também deve fazer seu planejamento para incrementar as contribuições pensando nessa meta de aposentadoria. Como fez o Elson,  que manteve o plano mesmo depois de ter saído da empresa”, acrescenta.


Além da previdência, Elson tem outros dois investimentos para objetivos de curto e médio prazo. Todos são acompanhados por uma tabela no Excel que ajuda na organização e avaliação dos recursos.


Mesmo sendo considerado um exemplo com os investimentos para a maioria dos amigos e familiares, o autopatrocinado* garante: "se pudesse voltar no tempo, investiria ainda mais recursos na minha aposentadoria", finaliza. 


*Autopatrocinado: participante que, após sofrer perda parcial ou total de remuneração no patrocinador, opte por manter sua contribuição anterior, assumindo adicionalmente a contribuição do patrocinador relativa à parcela reduzida, de modo a permitir a percepção futura de benefício nos níveis anteriormente praticados, observado o Regulamento do Plano de Benefícios.