2015 não será fácil, mas pode ser bom Revista Bem-estar #20 - Jan a Fev 2015

2015 não será fácil, mas pode ser bom

O resultado de investimentos da Funcesp em 2014 foi positivo, 9,09%, apesar da instabilidade econômica.  Entenda o cenário esperado para este ano e como a segurança dos seus investimentos é mantida.

O ano novo nem bem começou, mas vem sendo definido como um período difícil, em que os brasileiros vão sentir na pele o preço de um ajuste considerado essencial para pôr de volta o país nos trilhos do crescimento, ao mesmo tempo em que a economia mundial patina e dá sinais de estagnação.

O desafio para o Brasil é de tal ordem, que o recém-empossado ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, em setembro passado, antes mesmo de ser convidado para assumir o cargo, recorreu a uma alegoria mitológica para dar a dimensão da tarefa colossal que a equipe econômica – da qual ele agora faz parte – teria pela frente.

Ao falar num evento voltado ao debate de questões econômicas, o atual ministro lembrou o herói grego Hércules e seus 12 trabalhos para dar ideia do esforço necessário para fazer o chamado “ajuste fiscal”, ou seja, ampliar as receitas e reduzir os gastos do governo de tal forma que o orçamento fique superavitário. Para isso, o economista propôs uma dúzia de medidas rigorosas, que comparou às tarefas realizadas por Hércules.

Assegurar o crescimento brasileiro exige equacionar o déficit público. Mas o desafio não termina aí. Além dos 12 trabalhos na área fiscal, a equipe do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, terá de suar a camisa a fim de diminuir o déficit em transações correntes do Brasil, que atingiu 4,2% do PIB em 2014, marca que gera desconforto aos agentes de mercado.

O desagrado decorre principalmente do desempenho da balança comercial brasileira, que fechou o ano no vermelho pela primeira vez desde 2000. Isso significa que as importações superaram as exportações em US$ 5 bilhões.  Reverter esse resultado é outra prioridade da equipe econômica, que precisa buscar uma taxa de câmbio competitiva. Isto significa encontrar o valor do real capaz de estimular as vendas de produtos brasileiros para o exterior.

Ocorre que ajustar o câmbio sem causar impacto na inflação também requer habilidades dignas de heróis míticos. A decisão do governo de segurar os preços administrados por meses resultou numa situação artificial. Agora, sem poder postergar mais os reajustes dos preços de combustíveis, energia e tarifas de transporte urbano, a equipe econômica tem de medir a dose do aumento para não aguçar demais a pressão sobre a inflação, que consome a renda das famílias. Levy e Barbosa vão unir-se ainda a Alexandre Tombini, à frente do Banco Central, na luta para pôr o Brasil novamente no caminho da prosperidade.

Sobre este cenário, Jorge Simino Júnior, Diretor de Investimentos e Patrimônio da Funcesp, fala com a segurança de quem acumula uma experiência de 34 anos de mercado financeiro e já vivenciou muitas crises. Segundo ele, embora a equipe econômica tenha um remédio amargo a administrar ao país, se ela tiver carta branca para concluir o ajuste no prazo de seis ou nove meses, os resultados positivos poderão ser sentidos ainda neste ano.

“O primeiro semestre do ano será decisivo. Se os ajustes necessários forem feitos logo, o último trimestre do ano poderá exibir indicadores que apontem para um 2016 melhor, com as contas no lugar e com o país preparado para retomar o crescimento econômico. O mercado vai precificar a recuperação, e os papéis brasileiros poderiam ter alta ainda em 2015”, explica. Por outro lado, se faltar apoio político à equipe econômica, o ajuste deve estender-se por um período mais longo, e os frutos do esforço terão de esperar um pouco mais, mas ainda assim não muito. “Nessa hipótese, podem chegar ao longo de 2016”, prevê Simino.

De acordo com ele, a economia brasileira tem a capacidade de reagir rapidamente aos estímulos corretos (existem exemplos disso no passado recente), e o mercado acompanha cada movimento que indique que as boas oportunidades estão de volta. “Os agentes econômicos já foram surpreendidos positivamente antes pela vitalidade econômica de nosso país”, afirma o gestor.

Calma e cautela na gestão de recursos

Dado o elenco de dificuldades a ser superado pela equipe do governo, Simino explica a estratégia de investimentos da Funcesp. “Optamos por aplicações de curtíssimo prazo atreladas à Selic, que deve subir ainda mais para manter a inflação sob controle no momento em que o dólar e as tarifas públicas vão empurrar os índices de preços para cima”, afirma. A Selic é a taxa básica de juros fixada pelo Banco Central. É ela que define o custo do dinheiro na economia. O BC vem elevando a taxa desde o fim das eleições no ano passado para segurar a inflação, tendo, inclusive, assumido o compromisso de levar a inflação para 4,5% em 2016.

Reduzir as aplicações em renda variável para evitar as flutuações da bolsa no Brasil foi outra medida adotada pela Funcesp. Uma terceira medida, complementar a essa, foi ampliar modesta, mas gradualmente os investimentos nas bolsas estrangeiras. “Com isso, garantimos diversificação regional e setorial para nossos investimentos”, explica Simino.

É bom lembrar, no entanto, que a Funcesp sempre se pautou pelo cuidado extremo em acompanhar de perto os movimentos da economia para antecipar as reações do mercado e assegurar os ganhos das aplicações financeiras que vão prover os benefícios pagos aos participantes de seus fundos.

Desde 2008, quando estourou a grande crise que abalou dramaticamente a economia dos  EUA e contaminou o mundo todo, os mercados ainda não se acomodaram. Nesse contexto conturbado, porém, os números exibidos pela Funcesp são prova do cuidado da instituição na gestão dos recursos de seus participantes.

 

“O primeiro semestre do ano será decisivo. Se os ajustes necessários forem feitos logo, o último trimestre do ano poderá exibir indicadores que apontem para um 2016 melhor” Jorge Simino junior

 

 

 

 

 

O resultado de 2014

Quem acompanhou ao longo do ano o desempenho dos fundos geridos pela Funcesp observou que, entre janeiro e novembro, eles acumulavam rentabilidade de 11,30%, acima da meta atuarial de 7,2%. O superávit dos onze meses somava R$ 640 milhões.

Dezembro, no entanto, chegou alterando profundamente esse quadro. As ações da Petrobras, que representam 13% do índice Bovespa, caíram mais de 20% no mês, derrubando a bolsa, que registrou resultado negativo de 8,6%, e afetando o clima de negócios no país, já bastante prejudicado pela percepção externa em relação à saúde não só da estatal, mas também de outras empresas envolvidas no escândalo de corrupção e má gestão que estampam os jornais.

A dúvida em relação às companhias brasileiras azedou o humor dos mercados, desvalorizando também os títulos públicos federais, que constituem 70% da carteira de investimentos da Funcesp. A depreciação foi ainda maior em razão do contexto externo de queda do preço do petróleo. Com dificuldade de liquidez, esses títulos praticamente deixaram de ser negociados, e os agentes financeiros optaram por se desfazer dos que ainda tinham valor. Vendeu-se o que ainda era possível vender e geraram-se ainda maiores perdas para títulos como os brasileiros.

Entretanto, apesar do cenário instável, a Funcesp fechou 2014 com resultado de investimento positivo, abaixo apenas 0,49% da meta atuarial (que é o percentual calculado de quanto os investimentos precisariam render, somados à variaçãodo IGP-DI, para honrar os compromissos assumidos pelos planos de previdência). Se analisado em um cenário mais longo de tempo, como devem ser avaliados os retornos de um fundo de pensão, os resultados dos investimentos dos planos de previdência são superavitários.

 

Se analisados no período mais longo de tempo, os resultados dos investimentos dos planos previdenciários são superavitários.

 

Gráfico Resultados de Investimentos 2014

 

Renda Fixa

12,02%

Renda Variável

-2,46%

Investimentos Estruturados

-9,41%

Investimento no Exterior

15,35%

Imóveis

11,76%

Empréstimo a Participantes

10,26%

Total dos Investimentos*

9,09%

Meta Atuarial

9,63%

*Consolidado de todos os planos previdenciários.

 

Gráfico Investimentos – Acumulado Últimos 10 anos

Renda Fixa

321,71%

Renda Variável

220,91%

Investimentos Estruturados*

-36,14%

Investimento no Exterior**

15,35%

Imóveis

1227,68%

Empréstimo a Participantes

216,97%

Total dos Investimentos***

304,79%

Meta Atuarial

197,80%

*Investimentos Estruturados: até 2010, os resultados eram contabilizados como renda variável

**Investimento no Exterior: a partir de 2014

***Consolidado de todos os planos previdenciários

 

Gráfico Comparação Funcesp X Mercado – Acumulado 10 anos

Funcesp*

304,79%

CDI

200,47%

Poupança

105,57%

IBovespa

90,88%

 

*Consolidado de todos os planos previdenciários

 

 

Quer saber mais?

 

Todos os anos, a Funcesp aprova junto aos Comitês Gestores de Investimentos e Previdência a Política de Investimentos do seu plano. Ela traz as diretrizes que serão tomadas em relação à estratégia de investimentos e o horizonte para os próximos anos.

 

Vale a pena ler esta Política, que fica disponível no portal da Funcesp. Lá, você terá acesso também a uma análise aprofundada do cenário econômico do último ano e as previsões para 2015. Acesse www.funcesp.com.br > menu Investimento > aba Política