O alfabeto da economia em tempos de tarifaço Revista Bem-estar #21 - Mar a Abr 2015

O ano começou com juros nas alturas, aumentos dos preços de combustíveis, reajuste das tarifas de energia elétrica e transporte urbano, correção dos impostos e inflação em alta. “É o tarifaço que chegou”, constata Fabio Gallo, professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo e colunista do jornal O Estado de S.Paulo e da rádio Estadão.

Para Gallo, a única forma de contornar os efeitos da alta generalizada de preços é organizar-se. “Quando sobe o feijão, é possível substituir o produto por outro grão e evitar o impacto da alta no orçamento. Desta vez, no entanto, não dá para fazer isso, pois energia e transporte são itens insubstituíveis”, explica. “A mágica, neste caso, é a organização”, recomenda.

Indepedentemente da condição financeira, em tempos de aumento nas contas é importante avaliar se o orçamento comporta as novas tarifas ou se é necessário reorganizar para onde está indo o dinheiro. Se o orçamento vai sofrer com estes ajustes, é preciso priorizar e talvez cortar outros gastos. Para estes momentos, Gallo criou o que chama de “orçamento de guerra”. Segundo ele, trata-se de um método de análise e classificação das despesas que permite detectar o que pode ser cortado.

O professor propõe classificar as despesas domésticas em quatro categorias, definidas pelas letras A, B, C e D. “A é de alimentação, B de básico, C de contornável e D de desnecessário. Primeiramente, devem-se registrar todos os gastos da casa, depois, separá-los por categoria e, finalmente, estabelecer um limite para cada um deles e não ultrapassá-lo de jeito nenhum”, ensina. Confira a receita no quadro.

 

Fique ligado! O professor Fabio Gallo vai ao ar todos os dias, na rádio Estadão. Na segunda edição do programa Estadão no Ar, que começa às 13h20, ele dá dicas e lições para gerir melhor o seu dinheiro.

 

- ABCD da gestão do orçamento familiar

Utilize o método para organizar suas finanças e identificar o que pode ser cortado ou reduzido em seu orçamento em momentos de aperto.Itens das colunas A e B são essenciais, mas já os que aparecem como C e D podem ser cortados ou substituídos por outras opções menos custosas.

 

ALIMENTAÇÃO

Inclua apenas as despesas com o básico na alimentação. Se a família tem preferência por itens importados (mais caros que os nacionais), iguarias de alto custo ou almoços e jantares em restaurantes, não deve inseri-los nesta categoria, mas nas outras três.

 

BÁSICO

Aqui entram as contas obrigatórias, das quais não há como escapar: água, luz, telefone, internet, escola, aluguel, prestação da casa, impostos em geral.

 

 

CONTORNÁVEL

Neste item liste despesas que cabem no orçamento, mas que podem ser cortadas para dar prioridade aos itens das colunas A e B. Entram aqui aqueles gastos que tornam a vida melhor, mas que podem ser eliminados em caso de emergência – como academia, gastos com salão de beleza, assinaturas de TV a cabo, gastos com lazer.

 

DESNECESSÁRIO

É tudo aquilo pelo que pagamos sem usar ou que podemos substituir por outras coisas sem grandes perdas – como mais de um cartão de crédito ou mais de um celular.

 

Importante: se nem os itens das colunas A e B estão cabendo em seu orçamento, então o problema é mais profundo. Você precisa avaliar se está levando um padrão de vida mais caro do que suas receitas permitem. Para lidar com esta situação, leia dicas no portal do Vida Investe. Acesse www.vidainveste.com.br.

 

 

VIDA INVESTE

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Dicas do Vida Investe

Ricardo Figueiredo, economista e consultor do Vida Investe, programa de educação financeira e previdenciária da Funcesp, dá dicas para gerir seus recursos sem sufoco em tempos de “ajuste”.

 

- Fuja de novas dívidas

Um momento de alta de juros é sempre delicado para novos endividamentos. “O aumento da taxa básica de juros provoca adequações em todo o mercado. Os bancos elevam as taxas dos seus produtos, desde as linhas de crédito mais simples até as mais complexas. Cheque especial e cartões de crédito merecem cuidado redobrado. Dessa vez, nem mesmo os financiamentos imobiliários, que tendem a ter juros mais estáveis, ficaram de fora”, explica o consultor.

 

- Pague à vista e barganhe

Adie ao máximo a compra de eletrônicos e eletrodomésticos para dar preferência ao pagamento à vista, assim é possível fugir de juros embutidos nos parcelamentos e negociar descontos.

- Reveja o uso do carro

Com a elevação dos preços dos combustíveis, vale a pena avaliar o uso do carro. “Programar um esquema de caronas com vizinhos ou colegas de trabalho que morem na mesma região, por exemplo, pode ajudar a minimizar os impactos nas contas do aumento na gasolina e no etanol”, sugere o consultor. Deixar o automóvel na garagem no caso de uma ida rápida ao supermercado ou à padaria e utilizar o veículo somente para percorrer distâncias maiores também são outras dicas.

- Faça trocas inteligentes

Pense em gastos (especialmente aqueles listados nas colunas C e D) que podem ser trocados por opções mais baratas ou sem custo e, assim, não é preciso abrir mão do lazer ou de serviços de conveniência. Academia, por exemplo, pode ser substituída por caminhadas. Assinaturas de TV a cabo podem ser substituídas por um serviço como o Netflix.Se tem mais de um cartão de crédito, fique com apenas um e negocie com o banco a isenção de anuidade. Avalie seu plano telefônico: o seu é realmente o mais adequado ao seu perfil ou você paga por algo que não consome?

 

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