#2 Especial Saia das Dívidas: Saiba as consequências de se endividar

A facilidade de fazer dívidas é cada dia maior. Hoje, são poucas as compras em que o caixa da loja não nos pergunte em quantas parcelas queremos pagar. Somos forçados diariamente a tomar esta decisão financeira, muitas pessoas entram nesta farra e se metem em sérios problemas. É por isso que precisamos medir bem as consequências de fazer uma dívida.

Para entender melhor, vamos usar o caso do João, que comprou um carro de R$40mil, financiando R$20mil a 1,60% ao mês, em 60 parcelas de R$521.

A primeira consequência de financiar uma compra é aumentar o preço do bem e, obviamente, aumentar nosso custo de vida, pois vamos pagar o preço à vista mais os juros. No caso do João, o carro ficou R$11.260,00 mais caro e seu custo de vida também.

A segunda consequência é que, ao encarecer nossas compras pagando os juros do financiamento, estamos reduzindo o poder de compra de nosso salário. Então, quem consegue segurar o desejo e se planejar para comprar à vista faz muito mais com o mesmo salário.

A terceira consequência é que nossa renda disponível cai até pagarmos a última parcela, pois ao financiar estamos comprometendo uma parcela da renda futura. A renda mensal líquida do João é R$5mil, com o financiamento ela vai cair R$521 nos cinco anos seguintes. Será que os R$521 não vão fazer falta?

Essa queda na renda pode ser um problema se ele não tiver um bom planejamento de suas finanças. Esse risco é ainda maior em parcelamentos muito longos. Quando o João financiou o carro em 60 meses, ele considerou que não precisará deste dinheiro nos próximos cinco anos, é muito tempo. Quem sabe com certeza como estará o orçamento da família daqui a cinco anos?

A quarta consequência é a perda de liberdade de escolha, quanto mais dívidas, menor nossa liberdade. Quem fica muito endividado perde a liberdade de poupar para o futuro, de fazer um plano de previdência, de aproveitar boas oportunidades de investimento e até chances de fazer novas compras, de viajar nas férias, de fazer um programa legal de fim de semana com a família. Portanto, dívidas demais afundam nossos planos futuros, às vezes, o próprio futuro.

A quinta consequência do endividamento é o aumento dos riscos financeiros da família. Quanto mais dívidas mais apertado fica o orçamento e maiores as chances de problemas. Se aparece uma emergência – gasto com saúde, reforma urgente em sua casa, franquia do carro batido etc. – e nosso orçamento está curto, teremos que recorrer a mais empréstimos, o nível de endividamento sobe ainda mais, a vida fica ainda mais cara e podemos ficar inadimplentes.

A última consequência de se endividar demais é o desgaste psicológico que o endividamento traz. Quem dorme bem com um caminhão de contas para pagar? Tanto é que as dívidas são o principal motivo de desentendimentos familiares. Para piorar a situação, a pressão das dívidas pode nos levar a tomar decisões precipitadas e agravar uma situação que já era ruim.

Então, antes de sair parcelando tudo, pense muito bem nos impactos que esta decisão pode ter sobre sua vida. A melhor receita para evitar dor de cabeça com as dívidas é sempre se planejar, ou seja, pôr renda e gastos no papel e analisar com cuidado a situação financeira de sua família para tomar a melhor decisão e não elevar demais o seu nível de endividamento. É dele que tratarei no próximo artigo.