#3 Saia das Dívidas: Calcule seu endividamento

Certa vez fui procurado por uma senhora que tinha uma renda mensal líquida de R$4.000,00 e R$4.200,00 em prestações mensais a pagar. Veja que loucura, se ela pagasse todas as prestações do mês, não sobrava dinheiro nem para o supermercado. Aliás, ainda faltaria R$200,00 para as prestações.

Quando ela me contou isso, fiquei tentando imaginar como tinha chegado a essa situação. Com um pouco mais de conversa, descobri que tudo começou com um erro financeiro que muita gente comete: ela incluía o limite do cheque especial e do cartão de crédito na renda da família.

Olha só que gelada: ela juntou uma ideia errada com a facilidade de conseguir crédito e os juros mais altos do mercado. Só podia dar em desastre financeiro. É fácil entender: quando a situação ficava crítica, ela abria uma nova conta com limite de cheque especial ou pedia um novo cartão achando que estava aumentando sua renda. Na verdade, era o rombo nas finanças da família que só crescia.

Ela não percebia que o limite do cheque especial não era dinheiro dela, mas sim do banco, que estava emprestando a juros altíssimos. Nunca se esqueça de que fogo morro acima, água morro abaixo e dívida do cheque especial e do cartão de crédito ninguém segura.

E o nível de endividamento, onde entra nessa história? Pois bem, se ela tivesse acompanhado seu nível de endividamento, certamente teria percebido que sua situação estava ficando insustentável e poderia ter tomado uma providência bem antes de a crise chegar.

Há diversos indicadores do nível de endividamento de uma família, o mais comum é o índice de endividamento total, vamos chamá-lo de IET. Para calculá-lo temos que juntar todas as prestações mensais que temos que pagar (casa, carro, eletrodomésticos, as compras parceladas do cartão etc.), dividir por nossa renda líquida mensal e depois multiplicar por 100, assim saberemos o percentual da renda líquida que estamos usando. Vamos ao caso do João:

Prestação da Casa 1.263,00
Prestação do Carro 521,00
Outras Parcelas 263,00
Total de Parcelas 2.047,00

Como o João tem uma renda líquida de R$5 mil, o índice de endividamento total (IET) fica assim:

IET=                  2.047  = 0,4094 x 100 = 40,94%
                          5.000

Outro índice de endividamento importante é o índice de endividamento de consumo (IEC). Neste caso, não entra a prestação da casa, então, fica assim:

IEC=                 784  = 0,1568 x 100 = 15,68%
                          5.000

Como está a situação do João? Nada boa. Ele está muito endividado. As pesquisas mostram que famílias com endividamento total (IET) superior a 30% da renda são prováveis candidatos ao colapso financeiro. Acima de 40%, como o João, é certeza. O aperto virá logo!

Para o endividamento de consumo (IEC), o limite máximo recomendado é 10% da renda líquida da família. O IEC do João é maior que 15%, alto também, sinal de que ele está financiando compras demais.

Sem a compra do carro, o IET do João ficaria em 30,52%, bem melhor! Conclusão: a compra desse carro vai desequilibrar as finanças da família. Aliás, é o que mais observo nas conversas com pessoas endividadas, erro na compra do carro.

Por que usar dois índices de endividamento? Porque uma coisa é você fazer dívida para comprar uma casa, outra coisa é fazer dívida para comprar carro, roupas, eletrodomésticos, viagens etc. São dívidas diferentes, falarei disso no quarto artigo sobre dívidas.