#4 Saia das Dívidas: Quais dívidas são boas?

Fazer dívidas é sempre ruim? Não, em alguns casos o endividamento é uma boa opção, mas isso depende do objetivo e das condições da dívida. Há dívidas boas e dívidas ruins, aliás, há também as péssimas. Neste artigo vou tratar das dívidas boas.

Vou usar aqui um conceito mais amplo de dívida, não apenas os empréstimos e os financiamentos da casa, do carro, das compras que fazemos, mas também os parcelamentos do colégio, da faculdade e dos seguros; afinal, ao matricular seu filho na escola você está assumindo uma dívida a ser paga pelo ano todo.

Dívida boa é aquela que de alguma forma aumenta nosso patrimônio ou tem potencial de incrementar nossa renda no futuro; enfim, são aquelas dívidas que melhoram a saúde financeira da família.

A dívida boa mais comum é o financiamento da casa própria. Ela é boa por três motivos: em geral a família sai do aluguel, os juros são menores comparados a outros financiamentos e o imóvel comprado vai se valorizar no longo prazo; portanto, a dívida imobiliária melhora a saúde financeira da família e aumenta o patrimônio familiar.

No entanto, é preciso muito cuidado ao fazer o financiamento imobiliário. Primeiro porque a escolha do imóvel tem um viés de consumo, envolve preferências pessoais por bairro, tamanho, área de lazer etc., então, procure financiar um imóvel que caiba no seu bolso. Segundo porque é uma dívida de longo prazo, isso exige boas escolhas para não se apertar no futuro. Já conheci casos em que o financiamento imobiliário afundou a família em dívidas, pois o imóvel escolhido era muito caro para os padrões da família e a parcela comia um percentual exagerado da renda mensal. Então, pé no chão!

Outra dívida boa são os gastos com educação, sejam as parcelas do colégio, que prepara nossos filhos para o futuro, sejam as parcelas dos cursos profissionais e técnicos que aperfeiçoam nossos conhecimentos e alavancam nossa carreira. Em ambos os casos, são gastos com potencial de aumentar a renda futura da família, o que terá impacto positivo no patrimônio.

Um terceiro exemplo de dívida boa é o empréstimo ou financiamento para abrir ou ampliar um negócio próprio. Mas para ser uma boa dívida o retorno do negócio tem que ser maior que os juros do empréstimo. Duas dicas: se você vai abrir um negócio, não deixe de se informar muito bem sobre o ramo em que vai entrar; já se você vai ampliar seu negócio atual, calcule se os impactos positivos da ampliação compensam os juros. Nos dois casos, se a operação for bem sucedida, a dívida vai aumentar nossa renda e o valor de nosso negócio e, por tabela, o nosso patrimônio.

Um caso especial de dívida boa são os parcelamentos de seguros de residência, carro, vida e saúde. O seguro é uma proteção indispensável ao nosso patrimônio (residência e carro) e à nossa renda (vida e saúde). Por isso, quando não for possível pagar à vista, financie o prêmio junto à seguradora para não ficar sem seguro, pois numa ocorrência a perda potencial é grande e pode desestabilizar as finanças da família.

Atenção! Ter crédito é muito importante, pois ele nos permite financiar muitos de nossos sonhos e alcançar nossas metas na vida. Mas para que o sonho não vire pesadelo é essencial que saibamos usar bem o crédito que temos. Já vi muitos casos de dívidas boas se transformarem em pesadelos familiares por erros básicos do endividado. Por isso, mesmo essas dívidas boas aqui mencionadas precisam ser feitas com consciência e planejamento, medindo bem as consequências para que o que era bom não se transforme numa dívida ruim, como aquelas de que vou falar no próximo artigo.