Preparado para enfrentar os desafios da economia?

Há muito não se vê no Brasil uma combinação de desafios na esfera político econômica como os atuais. Inflação alta (e ainda em alta), juros elevados, contração do crédito, perda de renda real (ou do poder aquisitivo), recessão, fechamento de postos de trabalho, tensão no ambiente político, necessidade de ajuste forte nas contas públicas e nas contas externas. A arrumação não é fácil, pois os desajustes são grandes. Como num quarto muito bagunçado, eventualmente você recolhe um brinquedo, mas tropeça em outro. Algo inesperado cai do armário na sua cabeça.

Sim, há solução para a crise, e de alguma forma os desarranjos na economia estão minimamente sendo endereçados, mas levará tempo até a sensação de conforto voltar à cena. Portanto, é tempo de conservadorismo.

Por que é importante que se tenha consciência da atual conjuntura? A economia influencia sua vida no dia a dia por diversos canais.

A inflação atual é a mais alta desde 2003; oscilará perto de 9% (no acumulado em 12 meses) até o início de 2016. Preços em alta diminuem o seu poder de compra. A sensação de ir ao mercado e sair "só com uma sacolinha"! E não são apenas os alimentos que estão com preços em alta. A conta de luz, de água, a gasolina, a escola, os médicos, o lazer. Um dos destaques da alta da inflação esse ano é justamente a tarifa de energia. Indicadores sugerem que a inflação está espalhada pelos segmentos da economia.

O que importa é que os preços altos exigem cautela com os gastos, pois o orçamento, em geral, fica mais apertado.

Outra consequência que diz respeito com o seu dia a dia é que a taxa de juro está mais alta. A Taxa Selic, determinada pelo Banco Central, está em 13,75% ao ano e pode subir um pouco mais para combater a inflação. Isso torna os empréstimos mais caros, nas várias modalidades, cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal, etc. Os bancos cobram taxas muito maiores do que a Selic (o chamado spread bancário).

Portanto, fiquem atentos ao contratarem novas dívidas, as parcelas serão maiores e o preço final do produto também fica significativamente acima do preço à vista. Pense se as compras são necessárias, ou se dá para adiar.

Juro em alta ajuda a esfriar mais ainda o nível de atividade. O Brasil vinha crescendo pouco e agora entrou em recessão (crescimento negativo). Investimentos estão em queda, demissões em alta. O governo tenta reequilibrar suas contas, alguns impostos subiram, e também há medidas que visam cortes de gastos do setor público. Isso tudo também piora o quadro.

Essa conjuntura difícil já era esperada para 2015, mas a arrumação será mais demorada e mais custosa do que se esperava.
Embora se vislumbre queda da inflação no ano que vem, são muitas as variáveis que precisam de conserto. Há riscos no cenário, incertezas. Não se sabe ao certo como a arrumação da economia se efetivará.

Por isso, tenha em mente, nos próximos meses, que o momento é de cautela. São tempos de vacas magras.